Em Rede

Reflexões sobre temas da cultura digital


Dois ótimos livros que demonstram a importância do pensamento não linear

Por Reynaldo Carvalho

“Nenhuma superfície é virgem, tudo já nos chega áspero, descontínuo, desigual, marcado por algum acidente: o grão do papel, as manchas, a trama, o entrelaçado dos traços, os diagramas, as palavras.”

Roland Barthes

1 – Xamanismo, Colonialismo e o Homem Selvagem – Michael Taussig

A ciência em espelhos: antropologia, colonialismo e homem ocidental

Resenha de Glauber Silva de Carvalho et al. 

“Tendo como referências teóricas a crítica marxista da Escola de Frankfurt, especialmente com Walter Benjamim, o realismo grotesco de Bakhtin, o discurso do poder de Michael Foucault, a dramaturgia de Brecht e Artaud e o surrealismo como mediações da interpretação e da representação, Michael Taussig elabora o seu discurso textual através da técnica de montagem, cujo objetivo é estilhaçar o imaginário da ordem natural da linearidade científica ocidental. Reunindo dados históricos, textos literários e suas experiências pessoais com o poder alucinógeno do yagé com seus rituais nas curas xamânicas, o autor tem como objetivo apresentar narrações do terror e da cura no Putumayo, região intermediária entre os Andes e a Floresta Pluvial da Bacia do Alto Amazonas, na Colômbia.”

2 – O Local da Cultura – Homi Bhabha

Narrativa e fronteira cultural

Resenha de Felipe Charbel

A recusa narrativa de Homi Bhabha

“Ao primeiro contato, o texto de Homi Bhabha sugere caos e impenetrabilidade.

Fica evidente o artifício: as frases parecem cuidadosamente deslocadas, como se houvesse a cada instante a necessidade de afirmar certa desobrigação de coerência.

Em ‘Locais da cultura’ – texto que serve de introdução ao livro O local da cultura –, Bhabha dispensa prolegômenos: o leitor é obrigado, sem convite prévio, a mergulhar num fluxo contínuo de ideias, que parecem se sobrepor sem que haja nexos causais evidentes.

O autor passa de romancistas contemporâneos a conceitos filosóficos em intervalos de poucas linhas, como se o convívio forjado fosse necessariamente harmonioso. Menciona espaços fronteiriços, novas vivências e experiências pós-modernas, sem explicar precisamente o que entende por estas noções.

O leitor segue o curso descontínuo dos argumentos, até se deparar com a interrupção do texto, em meio a um clamor por encontros num mundo estranho.

Terminada a leitura, o texto se revela o próprio movimento: não há cadeia, apenas sequência de ideias, que se superpõem e evidenciam as fraturas da existência nas ‘margens da modernidade’.

Trata-se do mergulho na fronteira, da aceitação do fragmento como totalidade explicativa possível: viver ‘na margem’ implica pensar sincronicamente, num constante vai e vem que garante a quebra da fixidez dos grandes discursos.”

Até a próxima.



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