Em Rede

Reflexões sobre temas da cultura digital


O autor como curador

Por Reynaldo Carvalho

“Nenhuma superfície é virgem, tudo já nos chega áspero, descontínuo, desigual, marcado por algum acidente: o grão do papel, as manchas, a trama, o entrelaçado dos traços, os diagramas, as palavras.”

Roland Barthes

“O que significa atribuir ao autor a condição de curador? E curador do quê, exatamente?

(…)

Até pouco tempo, a figura do curador de arte parecia limitada a mais um nome na ficha técnica dos responsáveis pela exposição, informação quase sempre relegada a um canto meio obscuro do espaço expositivo. Isso era produto da posição ocupada pelo curador em relação ao artista e sua obra: ‘os papéis do artista e do curador eram claramente distintos: o primeiro, criava; o segundo, selecionava’, conforme afirma Boris Groys. Contemporaneamente, o trabalho de curadoria tem reivindicado uma assinatura própria que assume protagonismo para propor uma renovação na forma de organizar uma narrativa que reinventa não só o artista, mas o modo de olhar sua obra e de   reposicioná-la em relação à história da arte: ‘o ato criativo tornou-se o ato de selecionar’”.

O texto de Luciene Azevedo pode ser lido aqui.

Já Débora Molina lembra que “Nicolas Bourriaud entende que a produção artística contemporânea passa por um processo que o crítico nomeia de pós-produção. Bourriaud conclui que hoje os materiais artísticos não são mais elaborados através de uma matéria bruta, mas por meio dos materiais já existentes, já confeccionados. E, deste modo a palavra pós não atribui um teor negativo ao recurso, mas apenas uma aplicação de uma reelaboração, utilização, curadoria da matéria artística inscrita na história. Portanto, para o crítico, o produto artístico contemporâneo não se coloca como acabado ‘mas como um local de manobras, um portal, um gerador de atividades. Bricolam-se os produtos, navega-se em redes de signos, insere-se suas formas em linhas existentes’”.

O texto pode ser lido aqui.

No livro Pós-produção: como a arte reprograma o mundo contemporâneo (São Paulo, Martins Fontes, 2009), Bourriaud afirma que “as noções de originalidade (estar na origem de…) e mesmo de criação (fazer a partir do nada) esfumam-se nessa nova paisagem cultural, marcada pelas figuras gêmeas do DJ e do programador, cujas tarefas consistem em selecionar objetos culturais e inseri-los em contextos definidos”.

Também para Ana Guimarães, “recortando-se na lógica pós-moderna, o curador agrupa uma série de funções que estavam disseminadas: rizomático, ele ‘é uma espécie de regente de orquestra. O elemento que acaba por aglutinar as energias individuais, que devem resultar, no fim, numa energia única’ (…) Laborando no circuito da pós-modernidade o papel do curador é representativo da (des)fragmentação de referentes e da condensação de tempo(s) e espaço(s): pois é um artista(?), um produtor(?), um autor(?), um historiador de arte(?), um crítico de arte(?)”.

O texto de Guimarães pode ser lido aqui.

Até a próxima.



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